Photo by Miller School of Albemarle

Relato de um jovem bilíngue

Nasci em uma família bilíngue. Minha mãe, uma apaixonada pela língua inglesa, nunca utilizou um único idioma como o principal em casa. Minhas lembranças de infância, ainda como um bebê, remetem aos (quase) diálogos que eu tinha com ela em línguas diferentes. Meu nome é Lucas Mariutti, e esta é uma tentativa de resumir minha vida como um menino bilíngue.

A palavra sorte define a situação em que nasci. A Builders não era a minha única escola: quando eu voltava para casa, continuava imerso na língua e cultura inglesa. Tudo o que fazíamos em português era reproduzido em inglês. A conversa diária, a música no carro, os filmes, a brincadeira de carrinho… a gente fazia tudo junto e misturando os dois idiomas.

Hoje vejo muitos pais se preocuparem com a imersão de seus filhos no inglês, com medo de que não aprendam o português ou que fiquem com um sotaque “gringo”. Para você que faz esses questionamentos, aqui vão algumas dicas de alguém que viveu intensamente em um ambiente bilíngue:

1) Moramos no Brasil, um país onde a única língua falada é o português. Logo, esse será o idioma mais familiar para a criança, que terá naturalidade para falá-lo. Tome meu caso como exemplo: sempre fui bilíngue, mas não nativo. Logo, nunca “soei” como um “gringo” pelo fato de morar no Brasil.

2) O período de prática do inglês de um aluno da Builders geralmente acontece só na Builders. Poucos são sortudos o suficiente para falar outras línguas, além do português, em ambientes fora da escola.


3) A Builders não é uma escola internacional. O seu filho vai aprender português do mesmo jeito que o inglês. E, mesmo que fosse escola internacional, a probabilidade dele não saber falar português crescendo no Brasil é zero.

De malas para o mundo


Aos 14 anos mudei de país. Fui fazer o High School nos Estados Unidos, onde estou até hoje.

Cansei de responder perguntas de familiares e amigos como “você se adaptou bem?”, “e o inglês?”. O fato é que não houve adaptação. Em menos de um mês consegui assimilar meu sotaque com o de um americano. Meus amigos da escola ficavam surpresos quando descobriam que eu era brasileiro. Diziam: “mas você não tem sotaque de gringo!” Sorte? Acho que não.

Outro exemplo é o meu irmão, Thomas. Foi morar fora sozinho antes do que eu. Sua história é parecida com a minha; aliás, a minha é parecida com a dele. A língua nunca foi uma barreira para nós. Não há uma preferência, o nosso nível de conhecimento é igual para ambas, graças à escola bilíngue desde pequenos. (confira o artigo Educação bilíngue: onde e quando começar).

Sou extremamente grato a minha família por me incentivar a estudar um segundo idioma e à equipe da Builders por ter moldado quem eu sou hoje. Sem eles, eu não teria conseguido nem metade do que já fiz em 17 anos. Morar por conta própria no exterior seria inimaginável se eu não falasse o inglês.

Lucas Mariutti é ex-aluno da Builders. Mora atualmente nos Estados Unidos, onde cursa o High School.

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Educação bilíngue: quando e onde começar

Ao começar o processo de alfabetização, as crianças já têm pleno domínio verbal sobre a língua. A comunicação é feita perfeitamente, mesmo a criança não sabendo ler e escrever. Quando o aluno estuda em um colégio bilíngue, desde muito cedo é estabelecida a comunicação no segundo idioma e, naturalmente, ele vai aprendendo e fazendo as distinções necessárias para o entendimento do português e da nova língua.

Como a arquitetura trabalha a favor de uma escola sustentável?

Sustentável, inovador, educativo e harmônico. Esses são apenas alguns dos predicados do novo prédio que a Builders Educação Bilíngue irá inaugurar em breve e que integra um projeto de ampliação, cuja primeira etapa foi entregue no final do ano passado.

Desde o início da sua concepção, as diretoras foram muito específicas sobre a obrigatoriedade da sustentabilidade, um dos pilares da ideologia da escola desde sua criação há 20 anos. Isso significa entregar uma edificação que oferece mais do que condições para a coleta seletiva, reutilização de materiais, uso de cisternas, entre outras práticas usualmente relacionadas ao meio ambiente.

Uma escola sustentável possui espaços que educam e favorecem os relacionamentos entre as pessoas. Pensando nisso, estamos construindo um imóvel em que todos os ambientes se integram: a escola inteira vai se organizar ao redor de uma área livre, formada pela área de recreação coberta, quadra e playground. Essa solução cria um espaço mais democrático, com circulação fluída de alunos e professores, influenciando positivamente na interação entre todos.

Trata-se de um projeto altamente qualificado, com iluminação e ventilação naturais.  Qualidades raras nas escolas de São Paulo e que darão vida nova à Builders.

Educação como formação ou apenas um negócio?

Ao longo das conversas, ajustes foram sendo feitos. O espaço do subsolo, que seria destinado a carros, por exemplo, será agora um auditório. Uma área educativa onde os alunos poderão se preparar, fazer apresentações. Uma evidência clara do quanto a escola prioriza o desenvolvimento da criança.

Em todos esses meses de parceria, em que direção da escola e equipe pedagógica estiveram presentes com nossa equipe de arquitetura, técnicos das áreas de iluminação e paisagismo, entre tantos outros profissionais, uma coisa ficou muito clara: a Builders é um caso raro e único de escola que tem alma e é fortemente focada na pedagogia. O desejo de educar e formar cidadãos autônomos e independentes é forte e genuíno.

Nos próximos meses, a Builders irá inaugurar mais uma etapa do seu projeto de expansão: um prédio novinho, com todas as qualidades de um belo plano arquitetônico, que combina beleza, funcionalidade e harmonia com o seu entorno, sustentabilidade e, o mais importante, totalmente focado em elevar os padrões da educação.

Transcrição da entrevista da arquiteta Lua Nitsche, da Nitsche Arquitetos.

Você sabe como lidar com uma criança difícil?

Criança difícil: você sabe como lidar?

Muitos pais e mães se queixam que seu filho é difícil, que costuma se comportar de forma inadequada, batendo, tendo acessos de raiva, falando palavrões ou simplesmente desobedecendo.

Claro que nenhuma criança é igual à outra, e não existe receita, mas certamente o caminho para lidar com crianças difíceis passa pela comunicação e pelo afeto.

Algumas crianças manifestam comportamentos difíceis desde pequenininhos: acordando várias vezes à noite, chorando muito, demonstrando braveza quando contrariados.

Muitos pais, por sua vez, não sabendo lidar com os caprichos infantis acabam sendo manipulados, não colocam limites e fazem de tudo para agradar o filho, tornando-o uma criança mimada – o reizinho da casa!

Criança sem rótulos, com limites

Limites claros são muito importantes. São a base principal para desenvolver uma convivência harmoniosa e saudável entre pais e filhos.

Converse com seu filho sobre a importância do cumprimento de regras e façam combinados, assim vão evitar muitos conflitos. Por outro lado, fique atento, pois regras muito rígidas não são saudáveis e podem causar retraimento, raiva, desrespeito e até mesmo rebeldia. Ouça o que seu filho tem a dizer. Diga ao seu filho o que você pensa e espera dele. O diálogo é fundamental!

Educar não é nada fácil e dá trabalho, sobretudo quando vivemos em uma sociedade que estimula tanto a competitividade. A constante comparação que fazemos do nosso filho com o próprio irmão, primo, coleguinha de classe ou vizinho é muito negativa, causa baixa autoestima e pode desenvolver ansiedade. Cada criança é única e diferente das demais. Deve ser respeitada no seu jeito de ser e jamais diminuída, rotulada ou ridicularizada.

Crianças que apresentam problemas de comportamento geralmente tem dificuldades para lidar com as próprias emoções. Ajudar a identificar e nomear os sentimentos é algo que faz com que a criança se sinta amparada e cuidada. Ensinar que cada emoção pode ser transformada em uma palavra é a chave que deve orientar as crianças – primeiro para compreenderem a si mesmas e depois, para entenderem o mundo.

Perceber que todo ser humano sente as mesmas emoções pode trazer um grande alívio, por isso converse com o seu filho contando quando e porquê você sentiu a mesma emoção que ele está sentindo. Conte também o que fez na ocasião para lidar com aquela emoção.

Saber o que fazer com cada emoção é um processo longo e adquirido através das vivências do dia a dia. Por isso não proteja demais o seu filho. Deixe que ele enfrente dificuldades, se decepcione e principalmente que sofra as pequenas frustrações para que aprenda a adiar a satisfação imediata; afinal,  o mundo não será sempre como ele deseja.

A inteligência emocional não é nata, é uma habilidade que se aprende e precisa ser exercitada!

Por Cristina Navarenho Santos Zanetti, Educadora, Psicóloga e Orientadora Educacional nas escolas Builders Educação Bilíngue e Garatuja Educação Infantil

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Educação Através do Amor: conheça essa incrível ideologia

Você já ouviu falar da Educação Através do Amor?
Por
Ana Célia A. Mustafa Campos*

Você já ouviu falar da Educação Através do Amor? Ela foi pensada para garantir que o processo de ensino e aprendizagem seja permeado de carinho, atenção e disponibilidade para ouvir o aluno.

A ideologia surgiu há 20 anos, no nascimento de nossa primeira escola, com foco no emocional para a formação do ser humano e uso do conhecimento para o bem comum, e não em benefício próprio.

Como ensinar a Educação Através do Amor?

Ao iniciar o processo de ensinar Através do Amor, os educadores se deparam com a tarefa do autoconhecimento, de estarem conscientes de suas emoções (especialmente as negativas) e limitações. Ao aceitá-las, descobrem a si próprios, se aceitam, mas sem deixar de lado a busca pelo aprimoramento que irá guiar os educandos por um caminho mais suave. 

Quando o educador abraça a causa da Educação Através do Amor, dedica-se aos seus alunos da mesma maneira que se dedica a si próprio. Isso significa que:

  1. Ele busca garantir que sua equipe, parceiros, alunos e pais estejam em concordância com a verdade, a paciência, o gosto por dividir, a alegria por vivenciar momentos que despertarão aprendizados em todos os níveis. 
  2. Alimenta-se bem, exercita-se, cuida da saúde e do espaço que utiliza, está em contato com a natureza e garante que ela se perpetue sem abusar de seus recursos.
  3. Tem a certeza de que seus alunos são capazes e não desiste de nenhum.
  4. Busca não julgar. Quando o faz, tenta sair do estereótipo do “normal” para encarar a situação real e a busca pela melhor possibilidade para cada um. Sustenta seu grupo em uma vibração afetiva e de aceitação.
  5. Encanta-se ao perceber a beleza da diversidade e não tenta enquadrar todos no mesmo modelo. Cada um deve vivenciar as suas próprias experiências para se compreender.

A Educação Através do Amor permite que o educador se encontre, se perceba, melhore suas práticas e aprenda com os alunos, permitindo que eles se conheçam também, façam escolhas adequadas para si e lidem melhor com as necessidades do mundo, tornando-se adultos mais capazes e bem resolvidos emocionalmente.

O maior propósito da Educação Através do Amor é possibilitar que os envolvidos – pais, professores ou funcionários da escola – vivenciem o autoconhecimento e ajudem outras pessoas a se encontrarem e identificarem o seu propósito de vida. 

Fica aqui o meu convite para você conhecer a Educação Através do Amor!

Para mais informações sobre a Educação Através do Amor, clique aqui.

*Ana Célia A.M. Campos é Diretora Pedagógica das escolas Builders Educação Bilíngue e Garatuja Educação Infantil

Como gerir uma escola?

*Por Ana Paula A. Mustafá Mariutti 

Assim como muitas empreendimentos educacionais de gestão familiar, a história da Builders Educação Bilíngue e da Garatuja Educação Infantil (BG) não foi diferente. Eu e minhas duas irmãs, todas formadas em Pedagogia, iniciamos um negócio que começou pequeno, em que inicialmente dávamos aulas e fazíamos todo o resto do trabalho. Isso demandou formação contínua de nossa parte para que, com o crescimento no número de alunos, deixássemos de ser professoras para gerir o que se tornou um negócio com um lindo propósito e que desejamos que se mantenha sustentável por muitas gerações.

Sempre nos cercamos de assessores para nos ajudar nas expertises que não tínhamos, especialmente nas

As diretoras e fundadoras da BG Ana Lúcia A. Mustafá Nunes, Ana Paula A. Mustafá Mariutti e Ana Célia M. Campos com sua mãe, Vilma, e a orientadora educacional, Cristina Navarenho Santos Zanetti

áreas financeira e administrativa. E o que aprendemos? Que ferramentas de gestão, aplicadas em empresas de diferentes segmentos, mas pouco comuns na área de educação no Brasil, são essenciais para garantir a saúde de um negócio em todos os aspectos. E assim seguimos com a implementação de um plano estruturado, totalmente inovador para o segmento, que permitiu profissionalizar a administração das escolas, mas sem perder nossa ideologia, a Educação através do Amor, e o cuidado com pessoas, características que sempre nos destacaram.

O passo a passo para a gestão escolar

O processo de profissionalização das escolas foi gradual, seguindo um plano com metas de curto, médio e longo prazo, e que atualmente compõe um cenário bem estruturado, com líderes preparados para a gestão de seus colaboradores e equipes bem alinhadas.

Mas, afinal, de quais recursos dispomos hoje? Alguns exemplos são:

  • Descrição de cargos;
  • Workshops semestrais com colaboradores para reforço da ideologia das escolas;
  • Manuais de áreas com procedimentos específicos de cada função;
  • Manuais de colaboradores e pais com as principais normas da escola;
  • Processos e fluxogramas multifuncionais;
  • Política de Segurança da Informação;
  • Registro das atas de reunião com acompanhamento de pendências;
  • Planilha de gestão de tempo para definição de prioridades;
  • Esquema de trabalho baseado em reuniões de alinhamento, definição de tarefas e responsáveis, gestão por competências e feedback contínuo para avaliação dos resultados.
  • Processo de feedback estruturado envolvendo avaliação 360º e avaliações individuais.

Acreditamos que estas ações foram chave para o sucesso e longevidade das nossas escolas. O objetivo sempre foi manter negócios sustentáveis, o que significa que as melhorias e a busca por processos, sistemas e técnicas de gestão inovadoras estão no DNA da BG, garantindo que as futuras gerações possam continuar contando com a mesma qualidade de serviço que prestávamos quando abrimos as escolas e atuávamos como professoras em sala de aula.

* Ana Paula é diretora administrativa da Builders Educação Bilíngue e da Garatuja Educação Infantil

Relaxamento

Meditação: as crianças também merecem essa pausa?

Por Miriam Santos*

“Somos o que pensamos, tudo o que pensamos surge com nossos pensamentos. Com nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.”

Essa frase de Buda sintetiza o eixo central do pensamento e da filosofia que explica a meditação, técnica largamente usada nos países orientais e que vem conquistando aos poucos o Ocidente. O princípio da meditação está na conexão que estabelecemos conosco e com as energias ao redor. Transforma o cansaço e o desgaste em energia para as atividades diárias, além de auxiliar a respiração e a concentração.

E as crianças podem se beneficiar dessa prática? Sem dúvida, especialmente se levarmos em consideração que as novas gerações estão cada vez mais ansiosas, pois já lidam com questões como bullying, cobranças por resultados na escola e uma alta carga de estímulos visuais e de conteúdo.

Saiba como inserir a meditação na rotina da criança

A meditação traz uma pausa, um momento para equilibrar emoções. Ao ser incorporada à rotina, proporciona a melhora da concentração, memória e do relacionamento com pais e colegas; aguça a percepção dos sentimentos; aumenta a autoestima e o controle emocional; oferece a sensação de relaxamento e melhora a qualidade do sono.

Gosto de trabalhá-la de maneira integrada ao yoga e técnicas de respiração. Os meus alunos de 4º ano têm aulas semanais de yoga, como parte complementar da grade curricular do Ensino Fundamental. As atividades diárias são pensadas a fim de diminuir a correria do cotidiano a qual estão submetidos. Incluo nessas atividades músicas clássicas e instrumentais, a pintura de mandalas e prática da massagem, na qual são ensinados a dar e receber os movimentos. Em dias alternados, massageadores capilares ou luvas massageadoras são adicionados. Em outros momentos, os próprios alunos optam pela contação de histórias. Diariamente, após o almoço, trabalho um desses relaxamentos aqui citados.

A transformação é impressionante. Um olhar mais cuidadoso e atento é despertado nas crianças, que aprendem a se observar, entender suas emoções e cuidar dos outros. E afirmo também que a transformação ocorre em mim, já que os momentos de reflexão e paz que compartilho com os alunos proporcionam muitas trocas e aprendizado.

Introduzir a prática da meditação na rotina fora da escola é mais simples do que se imagina. Um simples passeio no parque com um olhar mais contemplativo para a natureza, prestando atenção ao sons ao redor ou envolver as crianças em atividades lúdicas e prazerosas, que requerem concentração, como a pintura, é o suficiente para as famílias despertarem para momentos mais reflexivos e de paz em conjunto. E, assim, transformarem  o seu mundo a partir de pensamentos mais positivos.

*Miriam Santos é professora do Ensino Fundamental da escola Builders Educação Bilíngue

Como escutar o que as crianças têm a dizer?

Por Tatiana Pereira de Almeida*

Se você convive com crianças, há de concordar com uma coisa: elas têm muita energia! Seja para usufruir o seu tempo com brincadeiras (imaginárias ou mais voltadas à movimentação corporal e social), seja para se comunicar (por meios gestuais, verbais, afetuosos ou de escrita). As crianças falam muito. E isso é ótimo!

Mas até que ponto, nós, adultos, escutamos o que elas têm a nos dizer? Somos apenas ouvintes ou nos esforçamos em entender, dando importância ao que elas querem nos passar?

Você ouve ou escuta?

Em primeiro lugar, precisamos saber a diferença entre ouvir e escutar. Ouvir é algo que fazemos a todo o momento; é perceber os “barulhos” ao nosso redor, o que o ouvido capta. Já escutar, é prestar a devida atenção no que se está ouvindo, é decodificar os sons e assimilá-los.

Muitas vezes somos surpreendidos pelo o que as crianças nos falam. Em meio à correria do cotidiano, em alguns momentos, podemos não saber direcionar uma resposta válida ao que a criança nos diz ou não achamos oportuno ter um olhar mais atencioso a isso. Porém, prestar atenção ao que elas têm a falar faz parte do seu processo de educação. Valorizar o que as crianças têm a nos dizer é uma forma de aprendermos com elas e de apreendermos suas inquietudes e alegrias, de compreender seu modo de agir e pensar.

Aprenda a ouvir com os olhos!

O princípio básico para saber escutar qualquer pessoa não é, inicialmente, o de utilizar a audição e tudo que a engloba, mas sim, o simples fato de olhar frontalmente nos olhos do seu interlocutor. A partir do momento que um adulto realiza essa ação, as crianças notam a importância que ele está dando ao que elas desejam contar. Diante disso, as crianças se sentirão mais seguras e motivadas a expressar suas necessidades, indagações e contentamentos, uma vez que notam a ação de escuta do adulto.

Sabe-se também que, quando um adulto repete o que a criança disse, ela também perceberá que foi de fato escutada. Essa ação é essencial, pois pode evitar que o adulto interprete de outra forma a fala da criança ou dela mesma perceber que não se expressou da maneira desejada. Com esse trabalho de repetição, a criança poderá desenvolver novas formas de expressar o que sente e o que quer para que o adulto possa compreendê-la melhor.  

É quase como uma receita de bolo. O adulto, iniciando um contato visual com a criança, já transmite a ela que terá um espaço para falar e ser escutada. Se for uma conquista importante ou um acontecimento alegre, o adulto pode enaltecer o que ela disse, expressar o quanto está orgulhoso, dizer um elogio construtivo, parabenizá-la ou demonstrar que está feliz pelo o que escutou. Se for algo triste, uma chateação, o adulto pode tentar passar para a criança que compreende os seus sentimentos, acolhendo-a e demonstrando que, juntos, podem encontrar uma solução para a situação. Mesmo nos momentos em que algumas falas da criança possam parecer errôneas e imaginativas, o adulto deve escutar, discernir o que realmente faz jus àquela situação e questionar sobre os fatos.  

Evidentemente que cada situação é única, mas escutar e transmitir uma fala empática à criança, proporcionará ao adulto uma relação muito mais próxima e saudável com ela, influenciando de forma positiva no seu desenvolvimento e formação integral. Como completa Faber & Mazlish (2003, p.36), “só quando nossas palavras são imbuídas de sentimentos reais de empatia é que falam direto ao coração da criança”.

*Tatiana Pereira de Almeida é pedagoga e faz parte da equipe do Ensino Fundamental da Builders Educação Bilíngue.