Por Marieta Lefèvre
Head de Gente e Cultura
Na nossa sociedade, existe uma espécie de “pacto silencioso”, no qual ninguém fala sobre a morte, especialmente com crianças. No entanto, quando evitamos o assunto, estamos ensinando às crianças que elas também devem fazer o mesmo.
As crianças não são pequenas demais para falar sobre a morte; precisamos apenas encontrar uma forma de falar que seja adequada à sua idade e à sua compreensão.
Desde cedo, a criança entra em contato com a ideia da morte: morre o peixinho, morrem os avós, morre um personagem de filme ou de uma história. Essas experiências podem despertar diferentes sentimentos e dúvidas. Por isso, sim, é possível e importante falar sobre a morte, especialmente quando ela faz perguntas ou demonstra interesse pelo tema.
O mais importante é que os adultos se sintam confortáveis para falar sobre o assunto. Geralmente, a dificuldade maior em falar da morte está no adulto, e não na criança, e está tudo bem, pois é difícil mesmo, já que mexe com nossas próprias crenças e inseguranças. Se isso ocorrer, busque ajuda de alguém de sua confiança que possa orientá-lo.
É importante estar preparado para perguntas difíceis, como: “O que acontece quando alguém morre?”, “A pessoa que morreu não vai voltar nunca mais?” ou “Ela virou uma estrela?”.
Mais do que ter todas as respostas, é fundamental que o adulto demonstre que consegue acolher o que a criança está trazendo, suas dúvidas, preocupações, tristezas e medos. Pode parecer pouco, mas a escuta ativa tem um enorme valor.
E há algo que pode surpreender: mesmo depois de uma conversa difícil, muitas vezes, poucos minutos depois, a criança já está brincando. Isso não significa que ela não tenha sentido ou compreendido o que aconteceu. Brincar é também uma das formas que encontra para elaborar e seguir em frente.
Se for desejo dela, vale falar sobre a pessoa que se foi, relembrar situações que viveram juntos e mostrar fotos. Essas são maneiras de reforçar que o vínculo de amor e afeto se mantém, apesar da ausência física, pois as lembranças continuam vivas em nossa memória e em nosso coração.
Outro aspecto é que, sempre que alguém próximo de uma criança morre, é comum surgir o receio de ficar sozinha, de perder os pais que tanto ama. Nesse momento, é muito importante assegurar que ela sempre terá pessoas que a amam cuidando dela. Isso lhe dará segurança.