Por Ana Luiza Azevedo
Coordenadora Pedagógica da Builders
Na mitologia grega, Chronos é representado pelo titã, senhor do tempo, aquele que tudo conduz de forma linear, sequencial e mensurável. É o tempo que pode ser contado em segundos, horas, dias e anos. O tempo dos relógios, das agendas, dos cronogramas e das rotinas.
Kairós, por sua vez, representa um outro conceito. É o momento oportuno, o tempo da experiência vivida com intensidade e significado. Um tempo subjetivo, que não pode ser medido, mas sentido.
Na escola, convivemos diariamente com esses dois conceitos. Existe o tempo da organização, das atividades direcionadas, das propostas pedagógicas e da rotina, que são fundamentais para o desenvolvimento das crianças e para a construção da autonomia, da aprendizagem e da vida em sociedade.
Mas existe também o tempo da infância, que acontece no brincar, nas descobertas, nas conversas, nas relações e nas experiências que fazem sentido para cada um.
O tempo da criança é diferente do tempo do adulto. Nós já compreendemos muitas normas do mundo, antecipamos situações e conseguimos regular melhor nossa atenção e nosso comportamento. A criança ainda está aprendendo tudo isso.
Ela ainda está descobrindo o mundo, aprendendo a organizar o próprio corpo e o próprio pensamento. Está aprendendo a interromper uma brincadeira para voltar a atenção a uma atividade, a lidar com frustrações, regras e mudanças de ritmo.
Por isso, muitas vezes, o tempo de brincar parece passar rapidamente para elas, enquanto o tempo de realizar uma atividade pode parecer longo e cansativo, mesmo que, no relógio, ambos tenham exatamente a mesma duração.
Esse ritmo precisa ser respeitado, porque varia de criança para criança. Algumas conseguem fazer transições com mais facilidade, enquanto outras necessitam de mais tempo, previsibilidade, acolhimento e mediação do adulto.
Nosso desafio, com educadores e familiares, é justamente equilibrar esses dois conceitos. Precisamos garantir a importância das rotinas, dos limites e das atividades direcionadas, sem esquecer que a infância também precisa de espaço para viver experiências significativas, brincar, explorar e construir sentidos sobre o mundo.
Afinal, no universo das crianças, brincar não é pausa no aprendizado. Brincar também é aprender.